COMO A CIDADE ANTIGA FOI CONSTRUÍDA
Dentro do Traçado de Polonnaruwa: A Arqueologia da Cidade Antiga
Como a cidadela real de Polonnaruwa, o sagrado Quadrângulo, os complexos monásticos e os templos hindus se articulam — e o que o Rankoth Vehera e o Lankatilaka revelam.
Veja os passeios por Polonnaruwa no GetYourGuide ↗Uma cidade construída em zonas distintas
As ruínas de Polonnaruwa não são um amontoado indistinto, mas sim um conjunto de zonas distintas que os arqueólogos interpretam como reflexo das diferentes funções da cidade: uma cidadela real fortificada que alberga o palácio e os edifícios administrativos, o sagrado terraço do Quadrangle, onde se guardava a relíquia do dente e os seus santuários, um vasto complexo monástico a norte e um conjunto disperso de templos hindus junto ao antigo assentamento da era Chola. O reservatório Parakrama Samudra delimita a fronteira ocidental da cidade, funcionando simultaneamente como fonte de água e, na prática, como fronteira natural. Compreender esta disposição — em vez de simplesmente assinalar monumentos individuais — é o que torna uma visita a Polonnaruwa coesa, e não uma sucessão de ruínas sem ligação entre si.
A Cidadela Real
A cidadela albergava o palácio real de Parakramabahu I, do qual sobrevivem as espessas paredes inferiores de tijolo e as bases das colunas, juntamente com uma câmara do conselho separada, cujos pilares de pedra estão esculpidos com filas de leões, e uma sala de audiências decorada com um friso de elefantes a marchar à volta da sua base — um motivo real comum na arquitetura cingalesa, já que os elefantes simbolizavam estabilidade e força. As crónicas contemporâneas descrevem o palácio como tendo vários andares de altura e muitas salas; o que resta hoje é realmente a pegada do rés do chão, uma vez que os andares superiores de madeira e tijolo não sobreviveram aos séculos após o abandono da cidade.
A Alahana Pirivena — uma cidade monástica dentro da cidade
A norte do Quadrado encontra-se o Alahana Pirivena, um enorme complexo monástico cujo nome se traduz aproximadamente por "mosteiro crematório", encomendado sob Parakramabahu I como um conjunto que servia simultaneamente de mosteiro de ensino e de necrópole real. É a maior zona arqueológica individual de Polonnaruwa, e os seus principais monumentos sobreviventes são a imponente casa da imagem de Lankatilaka e a stupa caiada de Kiri Vehera, ambas erguidas dentro do mesmo recinto amuralhado como parte do programa de construção original de Parakramabahu. Os Budas de rocha de Gal Vihara e a stupa de Rankoth Vehera, frequentemente considerados como pertencentes a este local, situam-se na verdade em fundações monásticas separadas, noutros pontos do sítio — uma distinção que vale a pena ter presente, uma vez que os guias turísticos costumam agrupar os quatro monumentos sob um único e vago rótulo de "Alahana Pirivena".
A Rankoth Vehera, a maior das estupas
A Rankoth Vehera é a maior estupa de Polonnaruwa e, pela maioria das medições, a quarta maior estupa antiga do Sri Lanka, encomendada pelo Rei Nissanka Malla e deliberadamente modelada a partir das gigantescas dagobas de Anuradhapura — uma forma de afirmar a continuidade com a autoridade religiosa da capital mais antiga, mesmo depois de o centro político se ter deslocado. O seu nome significa aproximadamente "estupa de pináculo dourado", referindo-se ao remate que outrora a coroava. As fontes variam quanto aos números exatos, mas a sua cúpula de tijolo é geralmente citada com cerca de 33 metros de altura, erguendo-se a partir de uma base com aproximadamente 55 metros de diâmetro e uma circunferência na casa das centenas de metros — facilmente o maior monumento que a maioria dos visitantes encontra no local.
As imponentes paredes de tijolo de Lankatilaka
Nas proximidades, a casa de imagem de Lankatilaka é uma das ruínas mais dramáticas de Polonnaruwa: duas paredes paralelas de tijolo de dimensão imensa, ainda de pé em alguns pontos a cerca de 17 metros de altura, que outrora abrigaram uma alta estátua de Buda em pé e sustentaram um telhado há muito desabado. As paredes exteriores são decoradas com fileiras de figuras menores de Buda e miniaturas de dagobas em relevo, e é a escala da alvenaria — mais do que qualquer detalhe esculpido individual — que torna o edifício memorável; caminhar entre as duas paredes dá uma verdadeira noção de quão alta e estreita a câmara interior original devia parecer.
A camada hindu sob a cidade budista
Espalhados pelas zonas mais antigas do sítio encontram-se vários devales de Shiva — templos hindus construídos em estilo sul-indiano durante o meio século em que as forças Chola, vindas da Índia, administraram a região antes de Polonnaruwa voltar a ser uma capital budista cingalesa. A sua presença é um registo físico desse interlúdio Chola, erguido em pedra e com imagens de divindades esculpidas, em vez do tijolo e da iconografia budista usados em todo o resto do sítio. Os arqueólogos tratam-nos como prova de que a identidade de Polonnaruwa enquanto capital real budista foi uma construção posterior e deliberada, sobreposta a um povoado já estabelecido, e não o ponto de partida da cidade.